CONDICIONANTES PARA A PRESERVAÇÃO ARQUITETÔNICA E URBANÍSTICA DO CENTRO HISTÓRICO DE SÃO JOÃO DEL-REI COM VISTAS A ESTRUTURAÇÃO DO PLANEJAMENTO TURÍSTICO DA CIDADE
Ensaio de caracterização e descrição do ambiente natural e construído
Descrição da área em estudo
Procuraremos estabelecer, inicialmente, uma visão global da área de estudo. Entretanto, é necessário que se façam claros alguns dos critérios desta análise, expressas graficamente nos mapas (Apêndice), que avaliam uma série de condicionantes ligados à preservação do Centro Histórico.
O mapa referente aos estilos arquitetônicos existentes na área em estudo objetiva a compreensão global da evolução urbana da cidade. As edificações foram classificadas de forma genérica, segundo critérios de "estilo": colonial, correspondente ao século XVIII e à primeira metade do século XIX; eclético-neoclássico, típico do período que compreende o final do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX; eclético proto-modernista, assim denominado pois que engloba tanto as manifestações futuristas e art decó dos anos 30 quanto a arquitetura eclética dos anos 40; modernista, que se estende pelas décadas de 50 e 60; e contemporâneo, que corresponde à diversidade de estilos que constituiu a arquitetura a partir dos anos 70, não significando, porém, construções bem caracterizadas e proporcionadas. Dada a inexpressividade das edificações neste último período, inserimos ainda o critério "integrado", para os casos em que o edifício em questão demonstre inserção correta em seu conjunto, quaisquer que sejam as características do mesmo. Optamos por tal solução ainda que estejamos correndo o risco de valorização dos pastiches.
Na análise da volumetria (mapa no Apêndice), os pisos térreos contribuíram para a contagem do número de pavimentos, mesmo nos casos em que existe pilotis. As igrejas não foram classificadas quanto ao número de pavimentos; um critério mais razoável teria sido a especificação da altimetria - o que não foi realizado uma vez que o controle da volumetria das demais edificações objetiva a manutenção das visadas dessas mesmas igrejas.
Os usos predominantes na área de estudo (mapa no Apêndice) foram descritos segundo a atividade predominante, especialmente nos casos em que ocorre o uso misto. Em todos os mapas, as edificações de miolo de quarteirão, às quais não se teve acesso, foram classificadas com o mesmo critério da construção existente no alinhamento.
Neste primeiro momento, a metodologia utilizada por Lynch em "A Imagem da Cidade" foi de extrema importância, uma vez que permitiu estabelecer a conexão entre a realidade existente (levantada nos três mapas anteriores) e a compreensão mental da estrutura urbana. Para tal, utilizamo-nos dos mesmos conceitos apresentados pelo autor e descritos anteriormente (mapa "Estruturação espacial em São João del-Rei").
No meio urbano, praça e rua atuam como centro e caminho, e como tais, são fechamentos (enclosures).
Ao descrever São João del-Rei em seu livro "Em Minas", Carlos de Laet dividiu a cidade em dois bairros: São Francisco e Matriz, comunicados por três pontes; elogiou a inteligência dos construtores, que deixaram um grande leito para o córrego, ainda que lhe tenha parecido uma desproporção. Sem pretender, o jornalista descreveu uma das mais fortes imagens da cidade.
O sítio natural
O termo topografia designa "descrição do lugar", para denotar a configuração física.
Em toda a região do Campo das Vertentes o sítio natural é pitoresco e variado: morros suavemente ondulados, serras escarpadas, rios caudalosos, cascatas. O encantamento nos Campo das Vertentes provém da surpresa do viajante que, após caminhadas por serras íngremes - como fez Saint-Hilaire - se depara com a planície verde e extensa.
"Vertentes porque esta região, alcandorada nos contrafortes da Mantiqueira, representa o divisor de águas que dela partem formando as quatro bacias hidrográficas constituídas pelos rios: Doce, São Francisco, Paraná e Paraíba do Sul." (Sobrinho, p.14).
Ao aproximarmo-nos do Vale do Rio das Mortes, os elementos naturais ganham maior expressividade, e podemos ler claramente, em São João del-Rei, a conformação do espaço natural.
A posição geográfica de São João del-Rei no Vale do Rio das Mortes contribuiu para a formação de um entreposto comercial - parada obrigatória do "Caminho Velho" que unia Parati e Taubaté às Minas. Sua paisagem natural, composta por vales, cachoeiras, serras, matas e campos constituiu verdadeiro elemento-base para a formação da urbe, sob seu aspecto morfológico. A leitura de Norberg-Schulz já havia nos despertado para tal possibilidade.
A estrutura do relevo estabelece caminhos, elementos que direcionam o espaço, formados pelo conjunto montanha-vale, bem como um padrão espacial extenso e uniforme que se contrapõe aos primeiros e conforma domínio - como a Várzea do Marçal.
"Era meio-dia quando avistamos, num frêmito de prazer, lá muito abaixo, o vale do Rio das Mortes. À nossa direita, elevavam-se a cerca de seis milhas, as linhas da Serra de São José. À esquerda, estava São João del-Rei, ostentando uma dúzia de igrejas e estendendo-se, como se fora um lenço branco, sobre uma encosta irregular e severa. A nossos pés, na pequena planície ribeirinha estava o Arraial de Matosinhos, um lindo subúrbio." (Burton, p.56).
A leste, corre o Rio das Mortes, testemunha de tantos fatos históricos. A seu lado se ergue, imponente, a Serra de São José, limite preciso entre os municípios de Tiradentes e São João, os arraiais Velho e Novo de outrora. Ao norte, a Serra do Lenheiro rivaliza com aquela primeira sob o aspecto geomorfológico, mas surge como cenário para assentamento de São João del-Rei, pois foi ao sopé da mesma que as primeiras veias auríferas foram encontradas, fixando o homem à terra. Uma pequena elevação ao sul, o Morro do Bonfim, determina juntamente com a serra e um vale, e com ele o afluente esquerdo do Rio das Mortes, que por ter suas nascentes na serra ficou denominado Córrego do Lenheiro. Ainda hoje, os habitantes da cidade param para admirar o pôr-do-sol sob a serra, "lá para os lados do Lenheiro".
Assentamento
"O meio ambiente natural e a visão do mundo estão estreitamente ligados: a visão do mundo, se não é derivada de uma cultura estranha, necessariamente é construída dos elementos conspícuos do ambiente social e físico de um povo. Nas sociedades não tecnológicas [sic], o ambiente físico é o teto protetor da natureza e sua miríade de conteúdos. Como meio de vida, a visão do mundo reflete os ritmos e as limitações do meio ambiente natural." (Tuan, p.91).
A situação topográfica determinou, no caso de São João del-Rei, um tipo de assentamento caracterizado pela longitudinalidade, em virtude do acompanhamento do curso natural do Lenheiro - este situado, como já dissemos entre a serra de mesmo nome e o Morro do Bonfim. Desse modo, é fácil percebermos como os arruamentos originais seguem paralelos ao leito do rio: rua Santo Antônio, rua Direita (corruptela de "Direta"), rua do Barro Vermelho, até alcançar o ponto de travessia do Rio das Mortes, já no bairro de Matosinhos.
A existência do Córrego do Lenheiro determina a necessidade de pontes sobre seu leito e percebemos que, a cada momento histórico-econômico vivido, a cidade se encarregou de estabelecer tais ligações. Somente na área de estudo contamos com cinco pontes e pontilhões, em diversos materiais.
Também devemos fazer referência à linearidade da Rua da Prata que se prolonga da Ponte do Rosário até o Morro do Bonfim, desta vez perpendicularmente ao rio, demonstrando a ligação entre as primitivas capelas.
Os lugares feitos pelo homem são assentamentos em sua essência que, se relacionarmos organicamente com seu ambiente, funcionam como focos que condensam o caráter ambiental.
O homem sempre foi capaz de compreender que o seu ambiente é a expressão da essência de sua existência, apreendida a partir do entendimento dos lugares naturais.
Conjuntos urbanos
O centro histórico pode ser compreendido como a expressão de um processo dinâmico. Ao contrário das demais cidades mineiras do período colonial, a estagnação comercial não se deu como conseqüência imediata do declínio da produção aurífera. Desta forma, encontramos no centro histórico diversos estilos arquitetônicos (como vimos anteriormente), representantes das fases vividas na cidade; o colonial se refere, então, ao ciclo do ouro; o ecletismo está presente tanto no princípio do século, em função da estrada de ferro, da produção cafeeira do sul do Estado e das tecelagens, quanto nos anos 40 - quando também surge o modernismo - relativos ao último surto industrial na região: o da extração de cassiterita.
Tendo em vista essas características, a metodologia de análise deve adotar uma perspectiva também dinâmica e ampla, contrariando a antiga visão do SPHAN de Rodrigo de Melo Franco que considerava somente os monumentos barrocos, onde o perímetro de Tombamento se confunde com as áreas com predominância de edificações do séculos XVII e XVIII. Uma importância especial deverá, portanto, ser dada a toda construção ou espaço de qualidade, representativos dos demais períodos (mapa "Conjuntos urbanos").
A determinação de cada conjunto dar-se-á a partir das descobertas das características específicas de cada espaço. Tomando o conteúdo teórico estudado, estabelecem-se áreas de caráter diferenciado, nossos conjuntos urbanos constituem, então, lugares. O caráter exige maior articulação formal para ser expresso do que uma simples organização espacial; o caráter pressupõe um estilo, linguagem de formas simbólicas, formada por elementos básicos combinados de diferentes modos. "O caráter é determinado pela constituição material e formal do lugar" (Norberg-Schulz, 1985, p.14). Um grupo de edifícios com características semelhantes, ou seja, que apresentam os mesmos motivos arquitetônicos, em geral constituem um caráter.
A delimitação de um núcleo histórico a partir de um tombamento federal realizado nos anos 40 não significa abandono do patrimônio existente no restante da cidade. Fica clara a necessidade de estabelecer um parâmetro geral na cidade que inclua estas áreas.
As áreas de entorno foram definidas em função do limite do centro histórico, contemplando os conjuntos unitários que a nosso ver deveriam ser preservados através de uma proposta de legislação - daí a necessidade de caracterização destas mesmas áreas - bem como as regiões que interferem negativamente nos conjuntos pertencentes ao perímetro de tombamento.
Serão também descritos três conjuntos de interesse de preservação por possuírem como característica comum a representatividade de diversos períodos de florescimento econômico da cidade de São João del-Rei: o ciclo do ouro, na rua Ribeiro Bastos; o ciclo da ferrovia, na avenida Oito de Dezembro; e o ciclo das fábricas de tecido na rua Balbino da Cunha.
A homogeneidade e o estado de conservação destas construções exigem para as mesmas um tratamento diferenciado, que não se limita ao estabelecimento de um zoneamento e de um código de obras. Deve-se propor a esses conjuntos um novo modelo de preservação que não se caracterize pela restrição das antigas formas de preservação por Tombamento.
Rua Santo Antônio - Palco de atritos relativamente recentes entre a Prefeitura e SPHAN, foi um dos núcleos iniciais de desenvolvimento da cidade, constituindo-se em um caminho-tronco que unia as freguesias do Rosário, Pilar e Carmo a um povoado separado do núcleo principal. Seu traçado é espontâneo, característico do período colonial; estreita e sinuosa nas proximidades da igreja do Rosário, a caixa da rua logo se amplia. A pavimentação ainda é em "pé-de-moleque", tendo sido asfaltada a partir do cruzamento com a rua Afonsina Alvarenga, fora dos limites de tombamento; ainda assim, gerou uma ação judicial da União contra o prefeito, por danos ao patrimônio histórico nacional.
Com relação ao uso, predomina o residencial, com a presença de alguns ateliês junto das residências. A presença da Capela de Santo Antônio, construída no século XIX, e das sedes da Orquestra Ribeiro Bastos e da Banda Teodoro de Faria instauram o uso institucional, perfeitamente integrado no caráter predominante da rua, conferindo-lhe ainda uma atmosfera especial de religiosidade e musicalidade. O sobrado do Padre Gustavo, adjacente à capela foi um centro de medicina natural na cidade, com propaganda nos anuários; o pomar e a horta permanecem inalterados, embora não cumpram mais a função social de outrora.
A particularidade de seu conjunto lindeiro corresponde a uma significativa preservação das características iniciais das construções (salvo algumas exceções descaracterizantes) e à tentativa de inserção coerente das novas edificações (ação também isolada, fruto da iniciativa louvável de um proprietário de diversos imóveis no local). O casario remanescente, em geral, é térreo, com poucos sobrados, construídos em pau-a-pique e estruturados em madeira, telhados em duas águas e beirais em cachorro ou beira-seveira. A homogeneidade permanece até o cruzamento com a rua Afonsina Alvarenga, a partir de onde se mantém a volumetria, mas se alteram as características originais das edificações - o que estabelece uma coerência com a iniciativa de pavimentação do Poder Municipal. Neste trabalho, optamos por não incluir tal área, uma vez que o processo de descaracterização é, no nosso entender, irreversível e as informações pelo SPHAN não são claras quanto ao limite de tombamento. Além disso, a área se encontra em uma situação geo-topológica tal que não interfere nas visadas da rua Santo Antônio, se tomadas a partir da outra margem do Córrego do Lenheiro - prejudicada pela rua General Osório, que será discutida adiante.
Rua Direita - Juntamente com a rua Santo Antônio, a rua Direita - atual rua Getúlio Vargas - compreende um dos núcleos iniciais da cidade. É constituída por um conjunto harmonioso, representativo da arquitetura colonial, de trama viária espontânea e edificações no alinhamento. Une as igrejas do Rosário e do Carmo, passando pela Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Seu traçado é amplo nas proximidades da igreja do Rosário, formando um largo, e vai se tornando estreito à medida em que nos aproximamos da igreja do Carmo, quando um dos três Passos da Paixão (oratórios de proporção urbana) existentes na rua confunde a visada da mesma igreja, para em seguida abrir-se em um amplo largo. Apesar das diferenças ambientais existentes entre os dois trechos da rua, a unidade não é rompida, ao contrário, é reforçada pelos elementos de ligação que são as torres-sineiras das três igrejas, pontos referenciais marcantes em todo o núcleo histórico.
O casario é bem conservado, e a partir da Matriz do Pilar é predominantemente constituído por sobrados de uso misto, enquanto próximo ao Largo do Rosário é formado, em sua maioria, por casas térreas de uso residencial em transformação ao misto (serviço e comércio de função turística), à exceção dos solares das famílias Neves e Lustosa. Apresenta poucos elementos descaracterizantes, com algumas edificações que fogem ao alinhamento e/ou gabarito; as alterações mais freqüentes se dão nas fachadas, com a substituição de materiais originais e a inclusão de platibandas, com a conseqüente supressão dos beirais.
Largo da Cruz - O largo da Cruz corresponde a um exemplo característico da urbanidade do período colonial. Uma praça, denominada Paulo Teixeira e caracterizada pela presença de um Passo da Paixão e de um cruzeiro - daí seu nome popular - corresponde a um espaço amplo que é acessado através de diversas vielas e ruas estreitas e sinuosas, tal como o Beco do Cotovelo, que a conecta à praça do Barão de Itambé. O casario, de uso residencial, é térreo, embora existam alguns sobrados, dentre eles a casa mais antiga de São João del-Rei. Sua tipologia recorda os "sobrados de varanda paulista", com a projeção do segundo pavimento avarandado sobre a calçada, e evidencia o processo de formação da cidade - bandeirantes paulistas a caminho das Minas. Algumas edificações começam a apresentar o uso residencial misto.
Rua Municipal ou Quatro Cantos - A área denominada Quatro Cantos corresponde ao centro comercial mais antigo da cidade e se refere, originalmente, ao cruzamento das ruas Marechal Deodoro e Arthur Bernardes. A volumetria predominante é assobradada, e o uso rende-se, hoje, ao comercial e ao serviço, com poucas edificações de uso misto e quase nenhuma estritamente residencial.
A homogeneidade do conjunto, em sua maioria construções do princípio do século ou pré-modernistas dos anos 30, é rompida pela profusão de letreiros e pela constante violação das orientações dos técnicos do SPHAN pelos proprietários de imóveis comerciais quanto às cores das fachadas. Percebe-se, ainda, um rompimento sutil da volumetria através de andares escalonados e recuados do alinhamento; isto ocorre em virtude de o tombamento se referir ao logradouro e à volumetria existente nas fachadas; desse modo, acrescenta-se, indiscriminadamente e sob o aval do órgão de preservação, pavimentos à situação original sem critérios de visada.
Conjunto do Carmo - Este conjunto apresenta estilos arquitetônicos e ambiências diversas, reunidos em torno da forte presença da Igreja do Carmo. Sua inserção na malha com relação à Rua Direita já havia sido descrita; seu entorno propriamente dito é formado por ruas de casario homogêneo, quer sejam representativos do período colonial - como é o caso do Beco da Escadinha e da Rua da Cachaça, atual Marechal Bittencourt, antiga zona boêmia e de prostituição da cidade, descrita por Richard Burton como "Rua da Alegria"- quer sejam característicos do ecletismo do princípio do século XIX, nas ruas Resende Costa, Santa Teresa e Santo Elias.
Em termos de traçado urbano, destaca-se o Largo do Carmo, anteriormente formado por um adro com diferença de nível e hoje de tráfego indiscriminado de veículos, e a praça Carlos Gomes, lindeira ao conjunto eclético, onde se localiza um chafariz em ferro fundido do século XIX e o Cemitério do Carmo, do mesmo período e tombado pelo SPHAN pela sua singularidade - fechado com altos muros e constituído por um pátio. O Solar da Baronesa de Itaverava é uma construção imponente, do século XIX, que se destaca neste mesmo largo. Sua aquisição pela Universidade Federal de São João del-Rei indica o desejo desta instituição no sentido de preencher a lacuna cultural, fomentando atividades desta natureza na área.
Praça Francisco Neves - Esta área é compreendida pela praça de mesmo nome, pela praça Barão de Itambé e pelo conjunto das Mercês (igreja, adro e escadaria). Caracteriza-se pela diferenciação na ambiência do espaço, que se torna amplo e substitui a espontaneidade do traçado colonial por uma certa ortogoneidade que nos remete aos traçados do barroco europeu - direcionados a um determinado monumento.
A praça Francisco Neves conecta os fundos da Matriz e a igreja das Mercês, "templo de elegante frontispício, que se assenta em ponto elevado da cidade, de onde toda esta se descortina" (Viegas, 1942, p.169), e tem adjacente a ela o Hospital das Mercês e a praça Barão de Itambé, onde se erguem o solar de mesmo nome com um Passo da Paixão anexo, o Pelourinho.
O casario é predominantemente térreo e de uso exclusivamente residencial (à exceção do hospital, da igreja e passo), bem conservado em suas características originais. As cores são luminosas e alegres, diferentemente do casario da rua Direita, mais sóbrio.
Rua Santo Elias - Assim como a rua Santa Tereza, a rua Santo Elias desemboca no Largo do Carmo. A denominação de ambas demonstra a religiosidade da população, que transpôs para o plano urbano os nomes dos dois santos de devoção carmelita. O conjunto da rua Santo Elias caracteriza-se por seu papel de conexão entre os conjuntos do Carmo, do Largo da Cruz e da praça Francisco Neves. Embora esteja inserido no perímetro de tombamento, a descaracterização é um dado constante, assim como a presença de tipologias características tanto do século XVIII (embora não se possa afirmar serem originais) quanto do século XIX e princípio do século XX; daí a conexão à qual nos referimos. O casario é predominantemente térreo e de uso quase que exclusivamente residencial.
Avenida Hermílio Alves - Seguindo a fluidez na mudança do colonial para o eclético, temos o conjunto que margeia o lado direito do Córrego do Lenheiro, na avenida Hermílio Alves, da rua da Prata à Estação Ferroviária.
A relativa harmonia com que os estilos têm convivido vem sendo rompida pela inserção indiscriminada, a despeito do tombamento estadual realizado na década de 80, de novas edificações. Isto faz com que o perfil da avenida se torne desigual em seus diversos pontos: da rua da Prata até a avenida Andrade Reis, permanece a variação de um a três pavimentos, destacando-se o Memorial Tancredo Neves, a Vila Mariquinhas, o Grupo Escolar João dos Santos, a Câmara Municipal e a Prefeitura; daí em diante, principiam as agressões, em especial na edificação da esquina da avenida Andrade Reis - onde havia uma casa geminada de estilo eclético, que foi demolida pela metade, tendo sido alegado instabilidade estrutural e risco de desabamento (curiosamente a outra metade permanece intacta...), para dar lugar a um edifício de consultórios de três pavimentos, e no edifício-sede do Banco do Brasil, que compromete profundamente a coerência do conjunto com seus seis pavimentos.
O Teatro Municipal e o Banco Bradesco (adaptado nos galpões em estrutura metálica da antiga leiteria) constituem-se exceções. Destacam-se, ainda, a Ponte da Cadeia, que conecta os Quatro Cantos à Prefeitura, e a do Teatro, em ferro fundido e que instaura uma bela visada do monumento.
Percebe-se a inexistência de um uso predominante na área, sendo que o residencial, embora minoria, convive com o institucional (talvez em maior número), o serviço e o comércio. Entretanto, podemos considerar que este seja um processo em desenvolvimento, haja visto as modificações descritas anteriormente.
Rua da Prata - As características do conjunto da rua da Prata, atual Padre José Maria Xavier, assemelham-se àquelas das duas primeiras áreas descritas; entretanto, o espaço urbano foi estruturado nos séculos XIX e XX - em virtude de uma proibição do século XVIII de instauração de um núcleo no lado do Bonfim, preferencial dos moradores, pelo então governador Brás Balthazar da Silveira - o que lhe confere um caráter diferenciado. A área conecta-se com o centro histórico através da ponte do Rosário, uma das muitas que hoje transpõe o Córrego do Lenheiro, toda em pedra e estruturada em arcos, contendo, ainda, um cruzeiro, como ditava o costume.
A força paisagística da área é determinada pela igreja de São Francisco de Assis e pela praça fronteiriça, um conjunto de espetacular preciosismo urbano e absolutamente diferenciado, quanto à inserção das demais igrejas na outra margem do córrego.
Predomina o casario térreo, embora de grande altimetria (correspondente a pé-direito alteado), quer sejam as edificações remanescentes das características coloniais, quer sejam típicas do ecletismo neoclássico ou francês do princípio deste século, advindos com a ferrovia. Destaca-se a recuperação de uma das construções para adaptação do Memorial Tancredo Neves, e de um sobrado em água-furtada para transformação em consultórios médicos.
Evidencia-se, aqui, a mudança no uso das edificações, consolidado há algum tempo. Predominam os serviços odontológicos e médicos, mas o uso institucional também está presente no Memorial, na Biblioteca Municipal, na Secretaria Municipal de Cultura/Museu Municipal (estes instalados na casa de Bárbara Heliodora) e no Mosteiro São José. A predominância do uso institucional se reforça pela presença da Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ, a ser descrita posteriormente. Também encontra-se na rua da Prata uma Capela de Passo.
Rua General Osório - Situada paralelamente - embora uma cota inferior - à rua Santo Antônio, a área da General Osório caracteriza-se pela substituição de grande parte das construções originais e pelo estado de degradação das remanescentes. Em termos volumétricos, a substituição não ultrapassa três pavimentos, concentrados no princípio da rua, próximo ao edifício do antigo Clube Teatral Arthur Azevedo, que hoje abriga um supermercado. A predominância é de sobrados de uso misto, embora grande parte das edificações se constitua em galpões ou construções adaptadas para abrigar depósitos de materiais de construção.
Muxinga - Palavra de origem africana, utilizada nos quilombos, Muxinga significa açoite. Na cidade de São João del-Rei, é um lugar que corresponde a uma depressão seguida de uma elevação, situado nas proximidades da Matriz. Sua topografia favorece as visadas de grande parte do núcleo histórico.
Isolada socialmente do centro histórico, a Muxinga caracteriza-se pela conservação das edificações originais, muito simples se comparadas com o elitismo dos sobrados da rua Direita e com o preciosismo das casas de pequenas dimensões da rua Santo Antônio, mas bem proporcionadas em seus elementos. A especulação imobiliária existente nos conjuntos do entorno parece não ter ainda alcançado a área em questão, o que favorece a manutenção das residências térreas inseridas em um parcelamento de grandes lotes. Em contrapartida, muitas das edificações vêm sendo alteradas em suas características.
A Muxinga é dominada, em seu ponto de cota mais alta, pela presença do Cemitério da Matriz do Rosário e, construídos em meados do século XIX, o segundo pertence à Irmandade de mesmo nome, tradicionalmente constituída pela população de baixa renda, em geral da raça negra - o que a remete às suas origens no tempo da escravatura.
Vale do Lenheiro - Esta área (não podemos considerá-la um conjunto) se carateriza por uma diversidade tal que não permite a integração de seus edifícios componentes em nenhum dos conjuntos descritos. Compreende, pois, as edificações situadas à margem esquerda do Córrego do Lenheiro. A diversidade se estende à volumetria e aos estilos arquitetônicos, sendo que uma maior unidade somente é obtida no uso comercial e de serviços - a saber bancos e hotéis que se concentram nesta área - com uma ou outra inserção de uso institucional.
O Plano de Diretrizes para o Desenvolvimento da Estrutura Urbana e Preservação do Centro Histórico de São João del-Rei, elaborado em 1982 pela Fundação João Pinheiro (e já citado anteriormente), confere especial destaque a esta área, considerando-a como representativa do processo histórico vivido pela cidade em virtude do registro arquitetônico dos séculos XVIII ao XX. Mesmo que aquele trabalho considere as duas margens do Córrego do Lenheiro - aqui nós o subdividimos em margem direita, denominado o conjunto da Avenida Hermílio Alves, e esquerda, que descrevemos agora - não podemos concordar com a afirmação de que é área mais importante da cidade. Talvez, em termos de movimentação de pessoas, mercadorias e moedas, sim; entretanto, quando se propõe valorizar as principais características da cidade, promovendo o desenvolvimento econômico via atividade turística, o grau de descaracterização e poluição visual desta área (mais do que na margem direita) não abona a opinião dos técnicos da Fundação João Pinheiro.
Avenida Tiradentes - A avenida Tiradentes se caracteriza pela diversidade de usos e de usuários. Estes usos oscilam, ao longo de seu traçado, do residencial ao misto, sem que haja a predominância de um ou outro. Seus usuários fazem parte tanto das classes mais baixas, concentrando-se no atendimento conveniado do Sistema Único de Saúde - SUS da Santa Casa, quanto das classes média e alta, freqüentadores da sede social do Athletic Club.
Em termos estilísticos e volumétricos, somente na última década o perfil da avenida vem sofrendo alterações, já que a maioria de suas edificações foi construída nos anos 50 - data aproximada da sua abertura - e apresenta bom estado de conservação e condições suficientes de uso.
Dentre as edificações de uso coletivo existentes na avenida, destaca-se o Cine Glória, o único da cidade, construído provavelmente na década de 30, em virtude de suas características arquitetônicas.
As ambiências da avenida e de seu entorno assumem as características dos demais conjuntos vizinhos. Deste modo, a avenida Tiradentes próxima à rua da Prata apresenta algumas características que a diferencia da avenida Tiradentes próxima ao "Kibon", à Santa Casa ou à Estação. Ainda assim, a unidade se mantém.
Estação Ferroviária - O conjunto definido pela Estação Ferroviária é datado, provavelmente, da época da implementação da Estrada de Ferro Oeste de Minas, que ocorreu no ano de 1881, por iniciativa dos próprios habitantes da cidade, dando a ela novo alento em termos econômicos. Tal afirmativa fundamenta-se nas características estilísticas e tipológicas das construções existentes nas quadras do entorno da estação: casas térreas ou sobradadas, com platibandas e varandas laterais, preenchidas de uma rica decoração eclética.
Com o fim do transporte por trilhos, alteraram-se não os usos originais - residencial para os funcionários da ferrovia, ou de serviços, constituindo uma "São João del-Rei Ferroviária" -, mas o público destinatário. No momento, as residências não são mais exclusivas da Rede Mineira de Viação ou da RFFSA, atingindo todo o público da cidade e inserindo a área no contexto da especulação imobiliária. Do mesmo modo, armazéns e restaurantes que subsistiam em função do movimento original, hoje destinam-se à população local que trabalha no centro ou, quando muito, aos turistas que nos finais de semana desfrutam da pitoresca viagem de Maria-Fumaça de São João del-Rei a Tiradentes.
"Kibon" - O "Kibon" compreende uma área de uso predominantemente misto, quer seja residencial/comercial ou residencial/serviço, onde se concentra a maior parte dos bares e restaurantes da cidade e que se caracteriza pela freqüência do público jovem nos finais de semana. Sua denominação tem origem na sorveteria que, atraindo diversas pessoas para o local, acabou por dar-lhe o nome.
As edificações são de tipologia comum em área de uso misto, com uso comercial e de serviços no pavimento térreo e residencial nos dois ou três pavimentos superiores, e geralmente datados da década de 40.
Uma outra iniciativa da construção nos anos 40 é o edifício São João. Sua volumetria compromete as visadas da cidade, pois interfere substancialmente nas linhas visuais. Felizmente, outras iniciativas desta natureza não foram promovidas, e o edifício fica como marco de interferência que deve ser evitado. Ainda assim, devemos ter em mente o risco futuro a que a cidade está sujeita em virtude da inexistência de legislação Municipal quanto ao uso do solo.
Bonfim - Em seqüência à rua da Intendência e no entorno da praça Dr. Guilherme Milward, temos o conjunto do Bonfim. Caracteriza-se pela neutralidade das construções, com a sucessiva eliminação das construções originais - grande parte delas representativas do período colonial - sendo substituídas por exemplares ascéticos e sem caráter. Podemos citar como exemplo as residências na rua sem nome que conecta as ruas Ribeiro Bastos e Dr. José Bastos, onde aos dois pavimentos inferiores é acrescido um terraço estruturado em perfis metálicos e cobertos por telhas de alumínio ou amianto, ou mesmo um outro pavimento - evidentemente sem quaisquer relações tipológicas ou materiais com a edificação que o sustenta.
A inserção da área no conjunto a ser trabalhado justifica-se na proposição de um modelo que pretende facilitar a permanência das edificações de valor ainda existentes e estabelecer novos modelos que sejam compatíveis com estas.
Os usos residencial e serviço convivem neste conjunto. A quadra da praça Dr. Guilherme Milward, entretanto, destaca-se, uma vez que seu uso é exclusivamente público, na área ajardinada e no terreno da escola. A praça se presta, dentre o lazer corriqueiro das crianças de soltar pipa ou jogar "pelada" com bola-de-meia, a outras atividades, como os ensaios da bateria da escola de samba do bairro nas semanas que antecedem o carnaval e a visitação ao cruzeiro ali existente, recentemente restaurado pela comunidade.
Universidade Federal de São João del-Rei - Havíamos nos referidos à rua da Prata como um local de uso institucional marcante, reforçado pela presença da Universidade Federal de São João del-Rei. Esta presença, porém, data de um período anterior à federalização da Universidade, e corresponde ao papel fundamental de uma das principais instituições de ensino do Estado: o colégio Santo Antônio.
A área do colégio, hoje campus universitário, é abrangente, alcançando o córrego do Rio Acima, um dos afluentes do Córrego do Lenheiro. Em função do seu caráter institucional, consegue-se estabelecer uma zona de vegetação no centro da cidade, permitindo, assim, uma linha de visada até a igreja de São Francisco a partir do Morro do Guarda-Mor, situado na margem esquerda do córrego do Rio Acima. Algumas edificações particulares de uso residencial, à exceção de uma casa eclética da Cúria, compõem o conjunto sem, contudo, interferir em sua amplitude.
Segredo - O Segredo foi incluído como uma da áreas a serem descritas, em virtude de sua proximidade com a região da Rua da Intendência, uma vez que suas características estilísticas e tipológicas, além de seu posicionamento topográfico (em um vale oculto por um morro e edifícios), permitiram a sua exclusão. Uma outra justificativa se fundamenta na recente ocupação do bairro - a partir dos anos 50 - e na existência de diversos vazios que permitiram um aumento na volumetria, já que nenhum tipo de legislação restritiva engloba esta área. A análise poderia ter se estendido aos demais quarteirões vizinhos a avenida Nossa Senhora do Pilar, o que não foi efetuado em virtude da uniformidade da área, bastando assim descrever um de seus trechos.
A característica é de uma região puramente residencial, com alguns usos mistos de serviços acoplados às próprias habitações, como escritórios de advocacia, consultórios médico-odontológicos ou bares. A tipologia básica é de casas térreas, datadas dos anos 50, com alpendre, telhados em duas águas e empena fronteiriça. Na Avenida Nossa Senhora do Pilar, a tipologia se altera para construções mais novas, inclusive edifícios de até quatro pavimentos, demonstrando que o arruamento tem origem nos anos 70.
Destaca-se, ainda, a Igreja de São Gonçalo Garcia, que tem diante de seu adro um monumento militar instalado nos anos 60, de gosto duvidoso e que contrasta com a arborização da praça vizinha, onde se encontra o Chafariz da Legalidade.
Rua da Intendência - A rua da Intendência parte da rua da Cadeia, diante da Prefeitura (antiga Intendência), e se dirige ao Morro do Bonfim. A cada trecho sua denominação foi alterada - rua Ministro Gabriel Passos, das margens do Lenheiro à rua Balbino da Cunha; rua Luís Baccarini até a rua Gonçalves Coelho; rua Dr. João Salustiano até a praça Dr. Guilherme Milward; e rua Tenente Mário César Lopes - embora a significação do nome original seja ainda presente.
O trecho que será analisado compreende os quarteirões limítrofes à rua, desde a sua confluência com a rua Balbino da Cunha até a rua Gonçalves Coelho. Em seu princípio, diversos equipamentos de uso institucional e de serviço definem a característica de uso da área, como a praça que abriga o Chafariz da Legalidade - que compreende uma área verde de grande significação -, o Grupo Escolar Maria Tereza e a Escola Técnica de Comércio Tiradentes. Entretanto, é o uso residencial que a caracteriza, inclusive com a presença de uma pequena "vila".
Os usos característicos definem tanto a volumetria quanto o estilo arquitetônico. Deste modo, ao uso residencial estão associadas construções térreas e sobradadas, datadas predominantemente das décadas de 50 a 70; um único exemplar do período colonial é remanescente. Aos usos institucional e de serviço, embora não possamos descrever uma tipologia, relacionamos o Grupo Escolar citado anteriormente, que é constituído por dois pavimentos, em estilo eclético, de proporções bem definidas pelas grandes aberturas, e que se destaca na paisagem por estar situado em posição topográfica elevada. Ao seu lado, contrasta a outra instituição de ensino (hoje uma escola de 1º e 2º Graus), sem qualquer relevância arquitetônica.
Rua Ribeiro Bastos - A rua da Prata, à qual tínhamos nos referido como de uso institucional marcante, segue até a praça Frei Orlando, diante da igreja de São Francisco de Assis. A partir deste ponto, a topografia começa a se elevar em direção à Capela do Bonfim, e a rua passa a se denominar rua Ribeiro Bastos.
O limite do tombamento definido pelo antigo SPHAN atinge somente um trecho da rua Ribeiro Bastos, justamente aquele que margeia o conjunto da igreja e do cemitério de São Francisco de Assis, não protegendo, pois, o restante da rua, onde se localizam diversas edificações de interesse de preservação que formam o conjunto que iremos agora descrever.
Em ambos os lados da rua Ribeiro Bastos erguem-se casas predominantemente térreas e de uso residencial, cujos estilos variam do colonial genuíno do século XVIII ao contemporâneo integrado a este primeiro.
Rua Balbino da Cunha - Inserida em uma região onde predominam construções relativamente recentes, a rua Balbino da Cunha se destaca pela presença do conjunto que agora descrevemos, constituído por sobrados erguidos na década de 40, representantes do último surto de desenvolvimento econômico da cidade, ligado as fábricas de tecido.
Em termos estilísticos, os casarões caracterizam-se pelo ecletismo fantasioso que envolveu o período, com reproduções dos palacetes hollywoodianos exibidos nos filmes da Metro. Somente um destes exemplares apresenta as características do modernismo de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer que começava, naquele momento, a ganhar a expressão nacional. Mesmo com as diferenciações estilísticas, a volumetria e o partido são similares, em virtude das condições topográficas. Todos têm em comum, ainda, o fato de terem sido construídos no parcelamento de uma mesma chácara, remanescente do período colonial e cuja sede se localiza na mesma quadra (à rua Dr. José Bastos), o que determinou lotes de grande extensão, segundo os conceitos urbanísticos da época.
Avenida Oito de Dezembro - Tal como os demais conjuntos que foram descritos, o da avenida Oito de Dezembro também representa um momento histórico-econômico da cidade, talvez de amplitude e importância mais significativa, pois corresponde a uma iniciativa dos moradores de São João del-Rei para implantar uma estrada de ferro até a cidade.
Este conjunto assemelha-se, então, ao que foi descrito como Estação Ferroviária. Casas de uso predominantemente residencial, típicas do período eclético que compreendeu o final do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX, ricamente decoradas em estuque, térreas mas com porões habitáveis, de varandas laterais e platibandas que ocultam os telhados em duas águas cobertos por telhas cerâmicas importadas da França.
Sua inserção como conjunto de interesse se deve ao fato de que o tombamento estadual realizado na década de 80 incorpora somente o conjunto lindeiro à estação, localizado à rua Quintino Bocaiúva, relegando a segundo plano as edificações existentes na rua Comendador Costa e na avenida Oito de Dezembro. Outro fato que conduziu a esta alternativa foi o de que os bairros no entorno desta avenida estão em ampla expansão, o que poderia acarretar uma descaracterização ou mesmo o desaparecimento do conjunto.